O Amor é um lugar estranho!

Diz que quando era nova parava o trânsito. Que no sítio onde nasceu, no Porto, era conhecida pela Miss. Era ela quem ditava modas e por quem as raparigas da zona copiavam os modelos.

 

Eram privilégios da classe média da época, que era estatuto de famílias que viviam de salários vindos da função publica.

 

À época só a sua altura, fazia com que desse nas vistas. Apaixonada por sapatos de salto alto, quem a quisesse ver era a calcorrear as ruas da cidade.

 

E foi sempre assim. Por onde quer que passasse, não passava despercebida.

Dona de ua auto-estima invejável e própria de poucos. Sempre recusou a ideia de que 'a galinha da vizinha era melhor'! Ela sempre foi a primeira a gabar o que dela achava de bom.

 

Nunca ouvi dela dizer que gostava de ser como alguém. Sempre viveu de bem com ele própria.

Mas viver e ser educada, por uma pessoa assim é tramado!

Mais tramado é, se tu é uma criança com dois argumentos de peso para te sentires desconfortável no teu meio. É que ser gorducha (aos padrões de hoje seria escanzelada) e usares botas ortopédicas o ano inteiro...

 

A criança gorducha, deu lugar a uma adolescente também gorducha, longe do 1,70 m da Mãe, que tece sempre como padrão de beleza e elegância a Mãe.

 

Um aparte: este post anda a ser esrito há mais de uma semana. Não sei ainda se o vou acabar, ou se ainda por aqui ficará mais uns dias... tudo depende da campainha, do telefone, do apitar da máquina da louça ou da roupa... imprevistos inofensivos!

 

E pronto, nunca vi defeitos na minha Mãe. Sempre a achei a mulher mais elegante do planeta, a quem qualquer trapinho ficava bem! eu, quw queria ser como ela, em quase tudo era diferente: mais baixa, morena, olhos escuros... só o cabelo tenho preto como o dela.

 

E com isso e por isso muitos fantasmas sempre viveram na minha cabeça.

 

Mas já não vivem. E muito sinceramente, estou farta deste post.

Eu só queria dizer que afinal a minha Mãe tem defeitos, começa a mostrar aquelas fraquezas, que nos levam a ter que, já com alguma frequência, inverter o papel e assumir o de Mãe.

Que eu gosot muito dela, de uma forma incondicional, que ela me põe a cabeça num oito, que me leva os sapatos quando cá vem, que detesto vê-la de salto raso... e que é tão teimosa... e cada vez mais irónica e convencida.

 

Isso não é nada bom, mas ela é assim mesmo e , que mais?

Que me telefona sem telefonar, que o telefona toca dez vezes, eu atendo as primeiras, ninguém responde, só mesmo o ruído do interior do carro ou de um café. Quando se apercebe, liga-me em pânico, com medo que tenha acontecido algo (é medrosa até dizer basta!) ... e quem lhe ligou fui eu! Ela nem tocou no telemóvel!

 

Bem, como diria alguém: 'O Amor é um lugar estranho'! E quem tem uma Mãe tem a prove evidente disso!

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publicado por Reflexos às 19:31
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